quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Breves considerações sobre o Sorgo

Sorgo (Sorghum bicolor), pertencente à família das gramíneas, com possível origem africana, é o quinto cereal mais produzido no Mundo, ficando a sua produção atrás da de trigo, arroz, milho e cevada. Na alimentação animal, pode ser utilizado na forma de forragem, silagem e grão. Os grãos podem ter cor variável, desde o branco ao vermelho.



O grão de sorgo apresenta uma composição semelhante à do milho, podendo substituir parte do mesmo na formulação da ração. Em alguns países, esta prática é particularmente vantajosa devido ao reduzido custo deste cereal, o que por sua vez vai diminuir o preço da ração.

Comparativamente ao milho, o sorgo contém:

- 90 a 95%  da sua energia;
- Maior teor de proteína bruta, mas baixo teor de isoleucina e leucina;
- Menor teor de gordura;
- Menor digestibilidade.

Análise Química (%)
Proteína Bruta
8 - 13
Gordura Bruta
1,5 – 2,5
Fibra Bruta
2 - 3
Amido
60 - 64
Cinzas Totais
1,5 - 2







  

O valor nutricional do sorgo é acentuadamente influenciado pela presença de compostos fenólicos, os taninos. A concentração de tanino depende da variedade de sorgo.

Acredita-se que estas substâncias estejam diretamente relacionadas com o desenvolvimento de um mecanismo de defesa da própria planta às condições adversas do ambiente, como o ataque de fungos, pragas e pássaros, tornando-as mais resistentes.

Se por outro lado, um teor de tanino elevado vai conferir-lhe resistência no cultivo, por outro, vai afetar diretamente a digestibilidade dos nutrientes presentes no cereal e consequentemente o seu aproveitamento pelo animal.
Os efeitos da presença de tanino traduzem-se na redução na digestibilidade da matéria seca e dos aminoácidos e na redução do valor energético do sorgo. Nos animais que o ingerem, observa-se uma menor conversão alimentar e, consequentemente, um menor ganho de peso.

Deste modo, o sorgo destinado ao consumo animal deve conter no máximo 1% de taninos, expressos em ácido tânico, recomendando-se a trituração ou moagem do grão, de forma a aumentar a sua digestibilidade.

Este cereal pode ser incorporado em rações de ruminantes e não ruminantes.

Têm sido realizados vários estudos acerca da incorporação de sorgo na alimentação de bovinos em diversas fases de vida, com resultados satisfatórios.

Na alimentação de suínos, o sorgo pode substituir parcial ou totalmente o milho como fonte energética, desde que sejam ajustados os teores nutricionais com os outros ingredientes e considerada a implicação da presença de tanino.

No caso das aves, recomenda-se uma substituição do milho até os 50% e adição de pigmentos para valorização da carcaça e gema de ovo, uma vez que o sorgo é pobre em carotenos e xantofilas.

Ao longo dos anos tem vindo a ser desenvolvidas culturas com baixos teores de tanino, através do melhoramento genético. Este facto permite que o sorgo tenha maior importância na alimentação animal e ganhe maior participação no mercado de rações.

MV | Filipa Severo
Vitor Pereira - Rações Unipessoal, Lda.

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