Sorgo (Sorghum bicolor),
pertencente à família das gramíneas, com possível origem africana, é o quinto cereal mais produzido no
Mundo, ficando a sua produção atrás da de trigo, arroz, milho e cevada. Na
alimentação animal, pode ser utilizado na forma de forragem, silagem e grão.
Os grãos podem ter cor variável, desde o branco ao vermelho.
O
grão de sorgo apresenta uma composição
semelhante à do milho, podendo substituir parte do mesmo na formulação da
ração. Em alguns países, esta prática é particularmente vantajosa devido ao
reduzido custo deste cereal, o que por sua vez vai diminuir o preço da ração.
Comparativamente ao milho, o sorgo contém:
-
90 a 95% da sua energia;
-
Maior teor de proteína bruta, mas baixo teor de isoleucina e leucina;
-
Menor teor de gordura;
-
Menor digestibilidade.
Análise Química (%)
|
|
Proteína
Bruta
|
8 - 13
|
Gordura
Bruta
|
1,5 – 2,5
|
Fibra
Bruta
|
2 - 3
|
Amido
|
60 - 64
|
Cinzas
Totais
|
1,5 - 2
|
O valor nutricional do sorgo é acentuadamente influenciado pela presença de compostos fenólicos, os taninos. A concentração de tanino depende da variedade de sorgo.
Acredita-se
que estas substâncias estejam diretamente relacionadas com o desenvolvimento de um mecanismo de defesa da própria planta às condições adversas do ambiente, como o
ataque de fungos, pragas e pássaros, tornando-as mais resistentes.
Se
por outro lado, um teor de tanino elevado vai conferir-lhe resistência no
cultivo, por outro, vai afetar
diretamente a digestibilidade dos nutrientes presentes no cereal e
consequentemente o seu aproveitamento pelo animal.
Os
efeitos da presença de tanino traduzem-se na redução na digestibilidade da
matéria seca e dos aminoácidos e na redução do valor energético do sorgo. Nos
animais que o ingerem, observa-se uma menor conversão alimentar e, consequentemente, um menor ganho de peso.
Deste
modo, o sorgo destinado ao consumo animal deve conter no máximo 1% de taninos,
expressos em ácido tânico, recomendando-se a trituração ou moagem do grão, de forma
a aumentar a sua digestibilidade.
Este
cereal pode ser incorporado em rações de ruminantes e não ruminantes.
Têm
sido realizados vários estudos acerca da incorporação de sorgo na alimentação
de bovinos em diversas fases de vida,
com resultados satisfatórios.
Na
alimentação de suínos, o sorgo pode
substituir parcial ou totalmente o milho como fonte energética, desde que sejam
ajustados os teores nutricionais com os outros ingredientes e considerada a
implicação da presença de tanino.
No
caso das aves, recomenda-se uma
substituição do milho até os 50% e adição de pigmentos para valorização da
carcaça e gema de ovo, uma vez que o sorgo é pobre em carotenos e xantofilas.
MV | Filipa Severo
Vitor Pereira - Rações Unipessoal, Lda.

Muito bem elaborado, gostei.
ResponderEliminarParabéns à Drª Filipa Severo e à Vitor Pereira Rações, fazia falta um espaço assim!
ResponderEliminar